Do Bordado ao Chá: como o Afternoon Tea abriu um caminho que mudou a minha vida
- Melissa Thiesen
- Jan 20
- 3 min read

Durante muitos anos, minhas mãos falaram antes mesmo de eu entender o que diziam.
Eu me formei em Moda no Brasil e tive meu próprio ateliê. Bordava vestidos de festa, vestidos de noiva, peças que exigiam tempo, silêncio, precisão e entrega. O bordado sempre foi, para mim, mais do que técnica: era presença.
Quando vim morar na Inglaterra, essa sensibilidade não desapareceu — ela apenas mudou de forma. Passei a criar bolos artísticos, doces detalhados, rostos esculpidos em chocolate. Novamente, o encantamento visual, o cuidado com o detalhe, a beleza como linguagem.
Até que, durante a pandemia, tudo precisou desacelerar. E foi nesse silêncio que a mesa entrou na minha vida.
A mesa como ponto de virada
Ao descobrir o universo da mesa posta, algo começou a se reorganizar dentro de mim. Guardanapos de linho, dobras, bordados, tecidos — tudo aquilo conversava diretamente com a minha história.
Foi então que encontrei o guardanapo em ponta Ajour. Um detalhe clássico, elegante, quase esquecido. Procurei referências, não encontrei tutoriais claros. Liguei para minha avó, para minha sogra. Assisti vídeos estrangeiros sem entender o idioma, apenas observando os gestos.
Decidi fazer do meu jeito.
E foi assim que meu canal no YouTube cresceu, quase sem intenção. Pessoas do mundo inteiro começaram a acompanhar aquele gesto manual, silencioso, delicado. O bordado, mais uma vez, abriu caminhos.
Quando o chá trouxe as perguntas
Ao montar mesas bonitas, algo começou a me inquietar. Eu percebia que nem eu, nem as pessoas à minha volta, sabíamos exatamente como estar à mesa.
Como usar o guardanapo? Por que ele existe? Por que o linho? Por que certas regras parecem invisíveis, mas mudam completamente a percepção que temos uns dos outros?
Essas perguntas me levaram ao estudo da etiqueta à mesa — e, mais profundamente, ao universo do Afternoon Tea.
Foi ali que compreendi algo essencial: a etiqueta não é rigidez. Ela é cuidado. Ela organiza o espaço para que o encontro aconteça.
O Afternoon Tea como ritual de presença
Ao estudar a história do chá, percebi que o Afternoon Tea nunca foi apenas sobre comida. Ele nasceu como um gesto social, uma pausa, um espaço de conversa, conexão e sensibilidade.
A forma como nos sentamos, falamos, escutamos, escolhemos um arranjo de flores ou a altura de um centro de mesa diz muito sobre quem somos.
Antes, eu queria mesas grandes, impactantes. Hoje, escolho flores pequenas, baixas, delicadas — para que nada se coloque entre mim e quem está à minha frente.
Esse entendimento transformou não apenas a minha mesa, mas a minha forma de viver, receber, me posicionar e me relacionar.
Do gesto manual ao refinamento interior
O bordado me ensinou paciência. O chá me ensinou presença. A etiqueta me ensinou consciência.
Hoje, meu trabalho une tudo isso: estética, comportamento, história e significado. O Afternoon Tea se tornou uma linguagem — uma forma de acessar o refinamento interior, a elegância no gesto e a beleza que não precisa ser explicada.
Foi dessa jornada que nasceu o meu livro.
Um novo ciclo
Este texto inaugura uma nova série aqui no blog. A partir de agora, vou compartilhar histórias, fundamentos do Afternoon Tea, mesa, etiqueta, porcelanas, rituais e reflexões sobre comportamento invisível.
Se você chegou até aqui, seja bem-vinda.
O chá é apenas o começo.
Assista o video dessa minha jornada que tanto me orgulha!










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