A História do Afternoon Tea: tradição, tempo e presença
- Melissa Thiesen
- Jan 21
- 3 min read

O Afternoon Tea não nasceu como um ritual sofisticado. Ele nasceu de uma necessidade
simples — e é justamente isso que o torna tão simbólico até hoje.
No início do século XIX, na Inglaterra, era comum que as refeições fossem servidas apenas duas vezes ao dia: um café da manhã mais reforçado e um jantar tardio, muitas vezes após as 19h. Entre esses dois momentos, havia um longo intervalo. Foi nesse espaço de tempo — físico e emocional — que o Afternoon Tea surgiu.
Anna de Bedford e o surgimento de um ritual
Anna Russell, a 7ª Duquesa de Bedford, começou a sentir fome e uma leve indisposição no meio da tarde. Para contornar isso, passou a solicitar que lhe servissem chá, pão, manteiga e pequenos bolos por volta das quatro horas.
Com o tempo, esse hábito íntimo ganhou companhia. Anna passou a convidar amigas para esse momento, transformando uma necessidade pessoal em um encontro social. Sem perceber, ela estava criando um novo costume — um gesto de pausa dentro da rotina acelerada da aristocracia inglesa.
O Afternoon Tea, então, deixa de ser apenas uma refeição intermediária e passa a representar algo maior: um tempo dedicado à conversa, à presença, à escuta e ao refinamento das relações.
A consolidação do Afternoon Tea como tradição
À medida que a prática se espalhou pela alta sociedade, o Afternoon Tea ganhou estrutura, regras e códigos. Não se tratava mais apenas de comer, mas de como se sentar, como segurar a xícara, como conversar, como ocupar o tempo.
A mesa tornou-se um cenário de comportamento. A porcelana, os talheres, os guardanapos, os doces e os salgados passaram a obedecer a uma ordem. Nada era excessivo. Tudo era delicado.
Mais do que status, o Afternoon Tea passou a comunicar pertencimento, educação e sensibilidade social. Era um ritual silencioso que dizia muito sobre quem participava dele.
Muito além do chá: um código invisível
Ao longo dos anos, o Afternoon Tea atravessou séculos, guerras, transformações sociais e culturais. Ele sobreviveu porque não se apoia apenas na estética, mas no significado.
O chá da tarde ensina sobre ritmo. Ensina sobre pausa. Ensina sobre a arte de estar presente.
Existe algo profundamente atual nesse gesto antigo: parar no meio do dia, organizar uma mesa, escolher palavras, silenciar excessos e criar um espaço onde o tempo parece desacelerar.
O Afternoon Tea hoje — e a forma como eu vivo essa tradição
Hoje, quando falo sobre Afternoon Tea, não falo apenas de história. Falo de experiência.
Viver o Afternoon Tea, para mim, é compreender que esse ritual não é sobre luxo, mas sobre consciência. Não é sobre formalidade rígida, mas sobre intenção. Não é sobre repetir regras, mas sobre entender por que elas existem.
Quando preparo ou apresento um Afternoon Tea, estou oferecendo muito mais do que chá e alimentos. Estou oferecendo um convite ao refinamento interior, à percepção do outro e ao respeito pelo tempo.
Cada gesto à mesa comunica algo. Cada comportamento revela quem somos — mesmo quando não dizemos uma palavra.
Por que essa história ainda importa
Contar a história do Afternoon Tea é, na verdade, falar sobre comportamento humano. Sobre como pequenos hábitos podem transformar relações. Sobre como rituais simples podem atravessar gerações quando carregam significado.
O Afternoon Tea permanece vivo porque responde a uma necessidade que nunca deixou de existir: a necessidade de pausa, de beleza e de conexão.
E talvez seja exatamente por isso que, ainda hoje, ao sentarmos à mesa para um chá da tarde, estamos participando de algo muito maior do que imaginamos.
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